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Psicobióticos - Ansiedade e depressão

  • Foto do escritor: Berenice Cunha Wilke
    Berenice Cunha Wilke
  • 12 de abr. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 31 de jan.

A ciência tem demonstrado que o intestino e o cérebro estão profundamente conectados — é o chamado eixo intestino–cérebro, uma comunicação bidirecional mediada por neurotransmissores, hormônios, inflamação sistêmica e, principalmente, pela microbiota intestinal.


Alterações no microbioma têm sido associadas a sintomas de ansiedade, depressão, alterações no humor e maior resposta ao estresse.Por isso, certas cepas de probióticos passaram a ser estudadas como psicobióticos — microrganismos capazes de influenciar o bem-estar emocional.


COMO O INTESTINO AFETA ANSIEDADE E DEPRESSÃO


1. Produção de neurotransmissores: GABA, serotonina e dopamina

Várias cepas têm capacidade de produzir, modular ou alterar a sinalização de neurotransmissores fundamentais para a saúde mental:

✓ GABA — neurotransmissor inibitório e ansiolítico

  • Lactobacillus rhamnosus

  • Lactobacillus brevis

  • Lactobacillus helveticus


Essas cepas aumentam a produção ou a sinalização de GABA, reduzindo ansiedade e modulando reatividade ao estresse.


✓ Serotonina — humor, sono e bem-estar

  • Lactobacillus plantarum

  • Lactobacillus acidophilus

  • Streptococcus thermophilus

  • Lactobacillus delbrueckii


Essas bactérias modulam o metabolismo do triptofano, favorecendo a rota serotoninérgica, o que é essencial em quadros depressivos.


2. Modulação da inflamação e da permeabilidade intestinal

A depressão e a ansiedade de base inflamatória estão associadas a:

  • permeabilidade intestinal aumentada,

  • maior entrada de endotoxinas na circulação,

  • ativação imune crônica.


Cepas com melhor evidência nesse campo:

  • Bifidobacterium longum

  • Bifidobacterium infantis

  • Bifidobacterium bifidum

  • Bifidobacterium breve

  • Lactobacillus plantarum


Elas reduzem citocinas pró-inflamatórias, reforçam a barreira intestinal e diminuem endotoxemia — mecanismos importantes para depressão inflamatória.


3. Efeitos no eixo HPA (cortisol e resposta ao estresse)

Algumas cepas reduzem a hiperativação do eixo HPA, diminuindo níveis de cortisol e melhorando a capacidade de lidar com estressores.

Destaques:

  • Bifidobacterium longum

  • Bifidobacterium breve

  • Lactobacillus helveticus

  • Lactobacillus casei


4. Comunicação pelo nervo vago

Os efeitos ansiolíticos e antidepressivos de várias cepas dependem da integridade do nervo vago.

  • Estudos mostram que Bifidobacterium longum reduz ansiedade via sinalização vagal.

  • Em modelos animais, a ação desaparece quando o nervo vago é seccionado.

Isso reforça a natureza bidirecional do eixo intestino–cérebro.


CEPAS MAIS ESTUDADAS ESPECIFICAMENTE PARA ANSIEDADE E DEPRESSÃO

Abaixo estão as cepas com melhores evidências integradas:

1. Lactobacillus rhamnosus – 1 bilhão UFC

  • Aumenta produção e sinalização de GABA.

  • Reduz ansiedade, estresse e melhora regulação emocional.

2. Lactobacillus plantarum – 1–2 bilhões UFC

  • Modula rota do triptofano favorecendo serotonina.

  • Reduz neuroinflamação.

  • Excelente para sintomas depressivos leves e humor instável.

3. Bifidobacterium longum – 1 bilhão UFC

  • Um dos probióticos mais estudados em ansiedade.

  • Reduz cortisol e modula o eixo HPA.

  • Associado a melhora de humor e ansiedade subjetiva.

4. Lactobacillus helveticus – 1 bilhão UFC

  • Ensaios clínicos mostram redução de stress psicológico.

  • Frequentemente combinado com B. longum.

5. Bifidobacterium breve – 1 bilhão UFC

  • Ação anti-inflamatória e ansiolítica.

  • Participa da modulação do eixo HPA.

6. Bifidobacterium infantis – 1 bilhão UFC

  • Efeitos significativos em estresse e inflamação.

  • Melhora sintomas depressivos associados a inflamação.

7. Bifidobacterium bifidum – 1–2 bilhões UFC

  • Fortalece a barreira intestinal.

  • Reduz endotoxinas inflamatórias relacionadas à depressão.

8. Lactobacillus acidophilus

  • Modula citocinas, auxilia na sinalização serotoninérgica.

9. Lactobacillus casei

  • Estudos mostram melhora do humor e redução de fadiga mental.

10. Lactobacillus brevis

  • Produção experimental de GABA.

  • Suporte para ansiedade leve.

11. Streptococcus thermophilus

  • Apoia produção de peptídeos bioativos que modulam serotonina.

12. Lactobacillus delbrueckii

  • Atuação indireta no metabolismo do triptofano.

13. Lactobacillus salivarius

  • Ação imunomoduladora com impacto indireto na ansiedade.


CONCLUSÃO

Probióticos não substituem medicamentos ou psicoterapia, mas fazem parte de uma abordagem moderna para regular o humor, reduzir ansiedade e modular processos inflamatórios ligados à depressão.

Algumas cepas — especialmente L. rhamnosus, L. plantarum, B. longum, B. breve, B. bifidum e B. infantis — mostram impacto direto em vias de GABA, serotonina, inflamação e sinalização vagal.Com isso, reforçam a importância de uma microbiota equilibrada como parte essencial da saúde mental.




Sou Dra. Berenice Cunha Wilke, médica formada pela UNIFESP em 1981, com residência em Pediatria na UNICAMP. Obtive mestrado e doutorado em Nutrição Humana na Université de Nancy I, França, e sou especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira. Também tenho expertise em Medicina Tradicional Chinesa e uma Certificação Internacional em Endocannabinoid Medicine. Lecionei em universidades brasileiras e portuguesas, e atualmente atendo em meu consultório, oferecendo minha vasta experiência em medicina, nutrição e medicina tradicional chinesa aos pacientes.



Para saber mais:


Sanjay Noonan et all

BMJ Nutr Prev Health. 2020 Jul 6;3(2):351-362.


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