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🔥Collinsella: bactéria da inflamação metabólica?

  • Foto do escritor: Berenice Cunha Wilke
    Berenice Cunha Wilke
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Quando analisamos um exame de microbioma intestinal, alguns nomes chamam atenção por sua relação direta com inflamação metabólica e imunológica. Um deles é a Collinsella, um gênero bacteriano que, apesar de fazer parte da microbiota normal, pode se tornar um marcador de desequilíbrio quando está aumentado.


O que é a Collinsella?

A Collinsella é uma bactéria anaeróbia, pertencente ao filo Actinobacteria, comensal do intestino humano. A espécie mais estudada é a Collinsella aerofaciens.


Em pequenas quantidades, ela pode coexistir sem causar problemas. O ponto de atenção surge quando há crescimento excessivo, situação frequentemente associada a um ambiente intestinal pró-inflamatório.


O que significa Collinsella aumentada?

Níveis elevados de Collinsella têm sido associados a:

  • 🔥 Inflamação intestinal e sistêmica

  • 🧠 Ativação imunológica crônica

  • 🍬 Resistência à insulina e alterações metabólicas

  • 🧬 Doenças autoimunes (como artrite reumatoide)

  • 🦠 Disbiose associada a dietas pobres em fibras


Estudos mostram que a Collinsella pode:

  • Aumentar a permeabilidade intestinal (leaky gut)

  • Reduzir a produção de ácidos graxos de cadeia curta, especialmente o butirato

  • Estimular a liberação de citocinas inflamatórias, como IL-17


Ou seja, ela não costuma ser a causa isolada do problema, mas sim um sinal de que o ecossistema intestinal perdeu equilíbrio.


Relação com dieta e estilo de vida

A Collinsella tende a proliferar em contextos como:

  • Dieta rica em carboidratos refinados e ultraprocessados

  • Baixo consumo de fibras fermentáveis

  • Excesso de gorduras de baixa qualidade

  • Estresse crônico e sono inadequado


Em contrapartida, padrões alimentares ricos em fibras, polifenóis e alimentos minimamente processados estão associados a níveis mais baixos dessa bactéria.


Collinsella e doenças metabólicas

Há uma associação consistente entre Collinsella aumentada e:

  • Síndrome metabólica

  • Diabetes tipo 2

  • Dislipidemia

  • Obesidade inflamatória


Isso ocorre porque a inflamação intestinal de baixo grau interfere na sinalização da insulina e no metabolismo energético.


O que fazer quando a Collinsella está elevada?

O manejo não é “eliminar” a bactéria, mas reprogramar o ecossistema intestinal.


As estratégias fundamentais incluem:

  • 🥦 Aumento gradual de fibras prebióticas, especialmente a goma guar parcialmente hidrolisada (PHGG), conhecida comercialmente como Fibregum®, respeitando a adaptação do intestino.

  • 🌈 Maior consumo de polifenóis (frutas vermelhas, azeite, cacau, chá verde)

  • 🦠 Estímulo a bactérias benéficas, como Bifidobacterium e produtores de butirato

  • 🍬 Redução de açúcares simples e ultraprocessados

  • 😴 Correção de sono, estresse e ritmo circadiano


Em alguns casos, compostos com ação anti-inflamatória e moduladora do microbioma, como a berberina ou fitonutrientes específicos, podem ser considerados de forma individualizada.


Mensagem final

A Collinsella é um excelente exemplo de como o microbioma funciona como um termômetro do metabolismo e da inflamação. Seu aumento não deve ser interpretado isoladamente, mas como parte de um contexto maior de disbiose, estilo de vida e saúde metabólica.


Cuidar do intestino é, cada vez mais, cuidar do sistema imune, do metabolismo e do cérebro.




Sou Dra. Berenice Cunha Wilke, médica formada pela UNIFESP em 1981, com residência em Pediatria na UNICAMP. Obtive mestrado e doutorado em Nutrição Humana na Université de Nancy I, França, e sou especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira. Também tenho expertise em Medicina Tradicional Chinesa e uma Certificação Internacional em Endocannabinoid Medicine. Lecionei em universidades brasileiras e portuguesas, e atualmente atendo em meu consultório, oferecendo minha vasta experiência em medicina, nutrição e medicina tradicional chinesa aos pacientes.



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