🔥Collinsella: bactéria da inflamação metabólica?
- Berenice Cunha Wilke
- há 1 dia
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Quando analisamos um exame de microbioma intestinal, alguns nomes chamam atenção por sua relação direta com inflamação metabólica e imunológica. Um deles é a Collinsella, um gênero bacteriano que, apesar de fazer parte da microbiota normal, pode se tornar um marcador de desequilíbrio quando está aumentado.
O que é a Collinsella?
A Collinsella é uma bactéria anaeróbia, pertencente ao filo Actinobacteria, comensal do intestino humano. A espécie mais estudada é a Collinsella aerofaciens.
Em pequenas quantidades, ela pode coexistir sem causar problemas. O ponto de atenção surge quando há crescimento excessivo, situação frequentemente associada a um ambiente intestinal pró-inflamatório.
O que significa Collinsella aumentada?
Níveis elevados de Collinsella têm sido associados a:
🔥 Inflamação intestinal e sistêmica
🧠 Ativação imunológica crônica
🍬 Resistência à insulina e alterações metabólicas
🧬 Doenças autoimunes (como artrite reumatoide)
🦠 Disbiose associada a dietas pobres em fibras
Estudos mostram que a Collinsella pode:
Aumentar a permeabilidade intestinal (leaky gut)
Reduzir a produção de ácidos graxos de cadeia curta, especialmente o butirato
Estimular a liberação de citocinas inflamatórias, como IL-17
Ou seja, ela não costuma ser a causa isolada do problema, mas sim um sinal de que o ecossistema intestinal perdeu equilíbrio.
Relação com dieta e estilo de vida
A Collinsella tende a proliferar em contextos como:
Dieta rica em carboidratos refinados e ultraprocessados
Baixo consumo de fibras fermentáveis
Excesso de gorduras de baixa qualidade
Estresse crônico e sono inadequado
Em contrapartida, padrões alimentares ricos em fibras, polifenóis e alimentos minimamente processados estão associados a níveis mais baixos dessa bactéria.
Collinsella e doenças metabólicas
Há uma associação consistente entre Collinsella aumentada e:
Síndrome metabólica
Diabetes tipo 2
Dislipidemia
Obesidade inflamatória
Isso ocorre porque a inflamação intestinal de baixo grau interfere na sinalização da insulina e no metabolismo energético.
O que fazer quando a Collinsella está elevada?
O manejo não é “eliminar” a bactéria, mas reprogramar o ecossistema intestinal.
As estratégias fundamentais incluem:
🥦 Aumento gradual de fibras prebióticas, especialmente a goma guar parcialmente hidrolisada (PHGG), conhecida comercialmente como Fibregum®, respeitando a adaptação do intestino.
🌈 Maior consumo de polifenóis (frutas vermelhas, azeite, cacau, chá verde)
🦠 Estímulo a bactérias benéficas, como Bifidobacterium e produtores de butirato
🍬 Redução de açúcares simples e ultraprocessados
😴 Correção de sono, estresse e ritmo circadiano
Em alguns casos, compostos com ação anti-inflamatória e moduladora do microbioma, como a berberina ou fitonutrientes específicos, podem ser considerados de forma individualizada.
Mensagem final

A Collinsella é um excelente exemplo de como o microbioma funciona como um termômetro do metabolismo e da inflamação. Seu aumento não deve ser interpretado isoladamente, mas como parte de um contexto maior de disbiose, estilo de vida e saúde metabólica.
Cuidar do intestino é, cada vez mais, cuidar do sistema imune, do metabolismo e do cérebro.
Sou Dra. Berenice Cunha Wilke, médica formada pela UNIFESP em 1981, com residência em Pediatria na UNICAMP. Obtive mestrado e doutorado em Nutrição Humana na Université de Nancy I, França, e sou especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira. Também tenho expertise em Medicina Tradicional Chinesa e uma Certificação Internacional em Endocannabinoid Medicine. Lecionei em universidades brasileiras e portuguesas, e atualmente atendo em meu consultório, oferecendo minha vasta experiência em medicina, nutrição e medicina tradicional chinesa aos pacientes.
Para saber mais:
Chen J et al.An expansion of rare lineage intestinal microbes characterizes rheumatoid arthritis.Nature Medicine, 2016.🔗 https://www.nature.com/articles/nm.3916
Gomez-Arango LF et al.Increased Collinsella is associated with host metabolic alterations.Gut Microbes, 2018.🔗 https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/19490976.2018.1445956
Qin J et al.A metagenome-wide association study of gut microbiota in type 2 diabetes.Nature, 2012.🔗 https://www.nature.com/articles/nature11450
Forbes JD et al.Associations of gut microbiota with intestinal permeability and inflammation.Genome Medicine, 2018.🔗 https://genomemedicine.biomedcentral.com/articles/10.1186/s13073-018-0559-3






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