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🧬 O SUS passa a oferecer Exoma para diagnóstico de doenças raras

  • Foto do escritor: Berenice Cunha Wilke
    Berenice Cunha Wilke
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 12 horas

O Sistema Único de Saúde iniciou a oferta de sequenciamento genético de alta complexidade, incluindo o Exoma, com o objetivo de acelerar o diagnóstico de doenças raras no Brasil.


Nos primeiros 90 dias de operação, 11 unidades da federação já ativaram o serviço, com centenas de exames realizados e laudos emitidos. A meta do Ministério da Saúde é expandir a rede para todos os estados até abril de 2026.

Trata-se de um movimento estrutural na medicina pública brasileira.


O que é o Exoma?

O Exoma é um exame de sequenciamento genético que analisa as regiões codificadoras do DNA — os éxons — responsáveis por aproximadamente 1–2% do genoma humano, mas onde se concentram cerca de 85% das variantes associadas a doenças monogênicas conhecidas.


Diferentemente de exames como cariótipo ou CGH-array, que avaliam alterações cromossômicas maiores, o Exoma permite identificar:

  • Variantes pontuais (SNVs)

  • Pequenas deleções e inserções

  • Alterações em genes específicos relacionados a doenças raras


É atualmente considerado exame de primeira linha em muitos casos de suspeita de doença genética.


Por que isso é tão importante?

Durante anos, famílias brasileiras viveram o que chamamos de peregrinação diagnóstica:

  1. Múltiplas consultas com diferentes especialistas

  2. Exames repetidos

  3. Internações sem diagnóstico conclusivo

  4. Tratamentos empíricos

  5. Sofrimento emocional prolongado


O diagnóstico molecular correto pode:

  • Dar nome à condição

  • Definir prognóstico

  • Orientar terapêutica

  • Permitir aconselhamento genético familiar

  • Evitar exames e intervenções desnecessárias

  • Conectar o paciente a pesquisas internacionais


Em muitos casos, não muda apenas o tratamento — muda a trajetória da família.


Em quais situações o Exoma costuma ser indicado?

Embora os critérios oficiais detalhados ainda estejam sendo consolidados na expansão do programa, internacionalmente o Exoma é indicado principalmente em casos como:


Neurodesenvolvimento

  • Atraso global do desenvolvimento

  • Deficiência intelectual

  • Transtorno do Espectro Autista com suspeita sindrômica

  • Epilepsias de início precoce ou refratárias


Doenças neuromusculares

  • Miopatias

  • Neuropatias hereditárias


Malformações congênitas

  • Anomalias múltiplas sem etiologia definida


Doenças metabólicas hereditárias

  • Suspeita de erros inatos do metabolismo


Casos familiares sugestivos de herança genética


O que muda com a oferta pelo SUS?

Até recentemente, o acesso ao Exoma estava majoritariamente restrito à rede privada, com custo elevado para grande parte da população.


A incorporação do sequenciamento de alta complexidade ao sistema público:

  • Amplia o acesso

  • Reduz desigualdades

  • Possibilita diagnóstico precoce

  • Fortalece centros de referência em genética


Mas é importante compreender que sequenciar é apenas o primeiro passo.


Onde o Exoma está sendo realizado

A implementação do sequenciamento de alta complexidade no SUS está sendo estruturada principalmente em centros universitários e hospitais de referência em doenças raras.


Entre as instituições envolvidas ou com tradição consolidada em genética clínica destacam-se:

  • Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

  • Universidade de São Paulo (USP)

  • Hospital de Clínicas de Porto Alegre

  • Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

  • Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)


Esses centros concentram:

  • Serviços de genética médica estruturados

  • Laboratórios com capacidade de sequenciamento

  • Equipes treinadas em interpretação de variantes

  • Integração entre assistência, ensino e pesquisa


A expansão progressiva para outros estados está prevista até 2026.


Desafios estruturais

A efetividade dessa política dependerá de:

  • Critérios claros de elegibilidade

  • Capacitação de profissionais para interpretação dos resultados

  • Estrutura de aconselhamento genético

  • Integração entre atenção básica, especialistas e centros de referência

  • Tempo adequado de emissão de laudos


O Exoma gera grande volume de dados. A interpretação exige equipe experiente, análise bioinformática qualificada e correlação clínica rigorosa.


Sem essa estrutura, o exame perde parte de seu potencial transformador.


Um avanço que exige maturidade

A oferta do Exoma pelo SUS não representa apenas um novo exame disponível. Representa:

  • Reconhecimento da importância da genética na medicina contemporânea

  • Valorização da investigação etiológica

  • Mudança de paradigma na abordagem das doenças raras


Para muitas famílias, pode significar o fim de anos de incerteza.

Para o sistema de saúde, significa o início de uma nova etapa — na qual a medicina de precisão deixa de ser privilégio e passa a integrar a política pública.




Sou Dra. Berenice Cunha Wilke, médica formada pela UNIFESP em 1981, com residência em Pediatria na UNICAMP. Obtive mestrado e doutorado em Nutrição Humana na Université de Nancy I, França, e sou especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira. Também tenho expertise em Medicina Tradicional Chinesa e uma Certificação Internacional em Endocannabinoid Medicine. Lecionei em universidades brasileiras e portuguesas, e atualmente atendo em meu consultório, oferecendo minha vasta experiência em medicina, nutrição e medicina tradicional chinesa aos pacientes.


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