Microbiota e Histamina: As Bactérias que Disparam os Sintomas
- Berenice Cunha Wilke
- há 2 dias
- 3 min de leitura
Microbiota e Histamina: As Bactérias que Podem Disparar os Sintomas
Você sabia que parte da histamina do seu corpo não vem da comida, mas sim das bactérias do seu intestino?
Isso significa que, mesmo fazendo uma dieta pobre em histamina, algumas pessoas continuam com sintomas porque o intestino está produzindo histamina por conta própria.
1. Como as bactérias produzem histamina?
Algumas bactérias possuem uma enzima especial (chamada histidina-descarboxilase) que transforma um aminoácido da alimentação — a histidina — em histamina.
O processo ocorre da seguinte forma:
histidina (da comida) → bactéria → histamina (que causa sintomas)
Quando há muitas dessas bactérias no intestino, a produção interna de histamina aumenta, e isso pode gerar:
coceira
vermelhidão
rinite
dor de cabeça
diarreia ou distensão abdominal
piora da dermatite
2. Como saber se você tem muitas bactérias produtoras de histamina?
Hoje esse perfil pode ser avaliado com exames modernos de microbiota, como o Shotgun Metagenômico. Esse tipo de exame analisa o DNA das bactérias do intestino e consegue identificar quais espécies estão aumentando a produção de histamina e quais estão te protegendo.
Ou seja, ele mostra:
se Klebsiella, Citrobacter ou Enterobacter estão altas
se Clostridium ou Enterococcus estão produzindo mais aminas biogênicas
se Bifidobactérias, Akkermansia e Faecalibacterium estão baixas
se há desequilíbrio que pode explicar rinite, enxaqueca, urticária ou dermatite
É uma ferramenta essencial para personalizar o tratamento.
3. Probióticos que podem PIORAR intolerância à histamina
Nem todo probiótico é bom para quem tem intolerância à histamina. Alguns lactobacilos são produtores de histamina ou de outras substâncias parecidas, e podem piorar sintomas:
L. casei
L. paracasei
L. plantarum
L. helveticus
L. rhamnosus
L. bulgaricus
L. delbrueckii
L. lactis
➡️ Isso não significa que são probióticos “ruins”. Mas sim que não são os mais adequados em quem já está sensível.
4. Bactérias que ajudam a reduzir a histamina
Essas bactérias têm efeito anti-inflamatório, ajudam a fechar a barreira intestinal e diminuem a ativação de mastócitos (células que liberam histamina).
Elas “equilibram” o ambiente:
Bifidobacterium longum
Bifidobacterium breve
Akkermansia (melhora a barreira intestinal)
Faecalibacterium prausnitzii (anti-inflamatória)
Butyricicoccus (produtora de butirato)
Quando essas estão baixas, a pessoa tende a ter mais sintomas de intolerância.
5. Como a disbiose piora a intolerância à histamina
Quando o intestino está desequilibrado, dois problemas acontecem ao mesmo tempo:
1) Produção aumentada
Mais bactérias produtoras → mais histamina sendo fabricada.
2) Absorção aumentada
Se o intestino está “permeável”, a histamina entra na corrente sanguínea com mais facilidade.
Isso resulta em:
mais alergias
mais rinite
mais enxaqueca
mais irritabilidade
piora do sono
urticária
piora da dermatite
E tudo isso pode ocorrer mesmo com dieta “perfeita”.
Importante: mesmo quando a produção intestinal está aumentada, isso não significa que a histamina aparecerá alta na urina. A maioria age localmente e é rapidamente metabolizada.
Em alguns casos, o que pode subir é a N-metil-histamina, mas muitos pacientes com sintomas fortes têm exames urinários completamente normais.
6. Perfis comuns de microbiota que aumentam a histamina
🔸 Perfil 1: “Produtora alta”
Exame mostra Klebsiella, Citrobacter ou Enterobacter elevadas.▶️ A pessoa reage a vários alimentos.
🔸 Perfil 2: “Produtora + permeável”
Produtoras aumentadas + Akkermansia baixa.▶️ A histamina escapa para o sangue → sintomas intensos.
🔸 Perfil 3: “Produtora + pouca proteção”
Produtoras aumentadas + Bifidobactérias muito baixas.▶️ Quadro arrastado, com enxaqueca, rinite e dermatite recorrente.
✨ Próximo Tema
“No próximo texto, vamos mostrar como tratar a intolerância à histamina de forma integrativa — equilibrando microbiota, reduzindo a permeabilidade intestinal e considerando sua genética.”

Sou Dra. Berenice Cunha Wilke, médica formada pela UNIFESP em 1981, com residência em Pediatria na UNICAMP. Obtive mestrado e doutorado em Nutrição Humana na Université de Nancy I, França, e sou especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira. Também tenho expertise em Medicina Tradicional Chinesa e uma Certificação Internacional em Endocannabinoid Medicine. Lecionei em universidades brasileiras e portuguesas, e atualmente atendo em meu consultório, oferecendo minha vasta experiência em medicina, nutrição e medicina tradicional chinesa aos pacientes.






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