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Exoma tem cobertura obrigatória pelos planos de saúde

  • Foto do escritor: Berenice Cunha Wilke
    Berenice Cunha Wilke
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

A cobertura é obrigatória quando preenchidos todos os critérios da Diretriz de Utilização Técnica (DUT).


O Sequenciamento Completo do Exoma passou a integrar o Rol de Procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e pode ser autorizado pelos planos de saúde quando há indicação clínica adequada e cumprimento das regras estabelecidas pela legislação.


A regulamentação está prevista na Resolução Normativa nº 465, posteriormente atualizada pela Resolução Normativa nº 539.


O que é o Exoma?

O Exoma é um exame genético que analisa as regiões codificadoras do DNA — locais onde se concentram a maioria das alterações responsáveis por doenças genéticas.


Ele é considerado um exame de alta complexidade e geralmente é solicitado quando outros exames iniciais não esclareceram a causa do quadro clínico.


Quando o Exoma é indicado?

O exame pode ser indicado em situações como:

  • Deficiência intelectual sem causa definida

  • Atraso global do desenvolvimento

  • Transtorno do Espectro Autista com sinais associados

  • Crises convulsivas de difícil controle

  • Alterações estruturais do sistema nervoso central

  • Doenças neurológicas hereditárias

  • Miopatias, neuropatias ou ataxias

  • Suspeita de erro inato do metabolismo

  • Suspeita de doença mitocondrial


Em muitos casos, o Exoma permite finalmente nomear uma condição que antes era apenas descrita como “atraso” ou “transtorno do desenvolvimento”.


O que é a DUT e por que ela é tão importante?

DUT significa Diretriz de Utilização Técnica.


É o conjunto de critérios definidos pela ANS que determina em quais situações o plano de saúde é obrigado a autorizar o exame.


Isso significa que:

✔ O exame está na lista oficial da ANS✔ Mas a cobertura depende do preenchimento dos critérios✔ O pedido precisa estar tecnicamente fundamentado


Critérios principais da DUT do Exoma

Para que o plano seja obrigado a autorizar:

1️⃣ Deve haver suspeita clínica fundamentada de doença genética


2️⃣ Exames iniciais devem ter sido realizados, como:

  • Cariótipo

  • Array CGH (quando indicado)

O Exoma é considerado exame complementar após investigação inicial inconclusiva.


3️⃣ O pedido deve ser feito por especialista:

  • Neurologista

  • Geneticista

  • Hematologista

  • Oncologista clínico


4️⃣ O exame deve ser realizado em território nacional


Exoma no Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Nos casos de TEA, a cobertura é obrigatória quando há:

Pelo menos um dos seguintes critérios:

  • Deficiência intelectual

  • Convulsões

  • Malformações do sistema nervoso central

  • Dismorfias

  • Microcefalia ou macrocefalia


E não se trata de autismo isolado.


O que o Exoma pode revelar?

O exame pode identificar:

  • Uma variante genética patogênica (associada à condição)

  • Uma variante de significado incerto (VUS)

  • Ou nenhuma alteração detectável com a tecnologia atual


Mesmo quando não há diagnóstico definitivo, o exame pode trazer informações relevantes para o acompanhamento clínico.


O que fazer se o plano negar a autorização?

A negativa pode ocorrer quando:

  • A justificativa médica não descreve claramente os critérios da DUT

  • Não constam exames prévios realizados

  • O plano interpreta como “autismo isolado”


Nesses casos, é possível:

  1. Solicitar a negativa por escrito com justificativa técnica detalhada

  2. Apresentar recurso administrativo ao plano

  3. Registrar reclamação na ANS

  4. Buscar orientação jurídica especializada em saúde suplementar


É importante saber que a negativa precisa estar fundamentada. O plano não pode simplesmente negar sem justificativa técnica baseada na DUT.


Em minha prática clínica, o diagnóstico genético permite direcionar melhor o acompanhamento e oferecer às famílias informações mais claras sobre prognóstico e conduta.





Sou Dra. Berenice Cunha Wilke, médica formada pela UNIFESP em 1981, com residência em Pediatria na UNICAMP. Obtive mestrado e doutorado em Nutrição Humana na Université de Nancy I, França, e sou especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira. Também tenho expertise em Medicina Tradicional Chinesa e uma Certificação Internacional em Endocannabinoid Medicine. Lecionei em universidades brasileiras e portuguesas, e atualmente atendo em meu consultório, oferecendo minha vasta experiência em medicina, nutrição e medicina tradicional chinesa aos pacientes.


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