Complexo II mitocondrial (SDHB): genética, diagnóstico e suporte metabólico
- Berenice Cunha Wilke
- há 2 dias
- 11 min de leitura
As mitocôndrias são responsáveis pela produção da maior parte da energia utilizada pelas células humanas.Esse processo ocorre através da cadeia respiratória mitocondrial, localizada na membrana interna da mitocôndria.
Essa cadeia é composta por cinco complexos enzimáticos principais (I a V) que trabalham em sequência para produzir ATP.
Entre eles existe um complexo com características únicas: o Complexo II.
Ele é o único complexo que participa simultaneamente do ciclo de Krebs e da cadeia respiratória, conectando diretamente essas duas vias metabólicas fundamentais.
As mutações no gene SDHB são raras e representam uma pequena fração das doenças mitocondriais, estando descritas principalmente em relatos de caso ou pequenas séries de pacientes
O que é o Complexo II
O Complexo II, também chamado succinate dehydrogenase (SDH), catalisa uma etapa do ciclo de Krebs:

Durante essa reação ocorre transferência de elétrons para um cofator chamado:
FAD (flavina adenina dinucleotídeo)
Esses elétrons são então transferidos para a coenzima Q10 (ubiquinona) dentro da cadeia respiratória.
Esse fluxo contribui para a geração do gradiente eletroquímico que permitirá a produção de ATP pelo Complexo V (ATP sintase).

Estrutura do Complexo II
O Complexo II é formado por quatro subunidades principais:
SDHA
SDHB
SDHC
SDHD
O gene SDHB codifica uma proteína que contém centros ferro-enxofre responsáveis pela transferência de elétrons dentro da enzima. Alterações nesse gene podem prejudicar o fluxo eletrônico mitocondrial.

Onde está o gene SDHB
Diferente de muitas doenças mitocondriais clássicas, o gene SDHB não está no DNA mitocondrial. Ele está localizado no DNA nuclear.
Localização genética: cromossomo 1 (1p36.13)
Isso significa que:
não depende de heteroplasmia
segue padrões de herança mendeliana.
A proteína é sintetizada no citoplasma celular e posteriormente transportada para a mitocôndria, onde passa a integrar o Complexo II.
Localização funcional:
matriz mitocondrial / face interna da membrana mitocondrial interna
Ela participa do Complexo II da cadeia respiratória.
Fluxo resumido
1️⃣ gene SDHB no núcleo
2️⃣ proteína sintetizada no citoplasma celular
3️⃣ proteína importada para a mitocôndria
4️⃣ integração ao Complexo II (succinate dehydrogenase).
Implicação clínica importante
Como o gene é nuclear, as mutações podem seguir padrões como:
autossômico dominante (mais comum em paragangliomas)
autossômico recessivo (algumas doenças mitocondriais).
E diferente de mutações do mtDNA:
não existe heteroplasmia
não existe herança exclusivamente materna.
Por que a maioria das proteínas mitocondriais vem do núcleo
Embora as mitocôndrias possuam DNA próprio, ele codifica apenas 13 proteínas.
Entretanto, a mitocôndria necessita de mais de 1000 proteínas diferentes para funcionar.
Essas proteínas são codificadas por genes nucleares.
Isso ocorre porque ao longo da evolução:
grande parte dos genes mitocondriais foi transferida para o núcleo celular
o DNA nuclear oferece maior proteção contra mutações
permite regulação integrada do metabolismo celular.
Assim, a maior parte das proteínas mitocondriais é:
1️⃣ codificada no núcleo
2️⃣ sintetizada no citoplasma
3️⃣ importada para a mitocôndria.
O que acontece quando o Complexo II não funciona adequadamente
Alterações no Complexo II podem levar a diferentes alterações metabólicas.
Redução da produção de energia
O fluxo de elétrons na cadeia respiratória diminui, reduzindo a produção de ATP.
Isso pode causar:
fadiga intensa
intolerância ao exercício
fraqueza muscular
sintomas neurológicos.
Acúmulo de succinato
A deficiência da succinate dehydrogenase pode gerar acúmulo de succinato. Esse metabólito atua como sinalizador celular e pode ativar o fator:
HIF-1α
Isso altera vias metabólicas e inflamatórias.
Em algumas mutações específicas da SDH também pode ocorrer predisposição a:
paragangliomas
feocromocitomas.
Aumento do estresse oxidativo
A transferência incompleta de elétrons pode aumentar a formação de: espécies reativas de oxigênio (ROS)
O excesso de ROS contribui para:
dano mitocondrial
inflamação celular
progressão da disfunção energética.
Como fazer o diagnóstico de disfunção mitocondrial
O diagnóstico geralmente envolve integração clínica, laboratorial e genética. A investigação pode incluir:
Exames laboratoriais
lactato
piruvato
relação lactato/piruvato
aminoácidos plasmáticos
ácidos orgânicos urinários.
Exames metabólicos
perfil de acilcarnitinas
avaliação energética muscular.
Biomarcadores da função mitocondrial no soro
FGF21
GDF15
Exames genéticos
painel de genes mitocondriais
sequenciamento do exoma
análise de variantes em genes como SDHA, SDHB, SDHC e SDHD.
A interpretação genética deve sempre ser realizada dentro do contexto clínico. Centros internacionais de pesquisa em doenças mitocondriais
Alguns centros concentram grande parte da pesquisa mundial nessa área.
Tabela prática de suplementos usados em suporte mitocondrial
Suplemento | Função metabólica |
Riboflavina (B2) | precursor de FAD, essencial para Complexo II |
Coenzima Q10 | transportador de elétrons |
L-carnitina | transporte de ácidos graxos para mitocôndria |
Tiamina (B1) | cofator de enzimas do ciclo de Krebs |
Creatina | reserva energética celular |
N-acetilcisteína | suporte antioxidante |
Aspectos Clínicos da doença mitocondrial

Suporte metabólico mitocondrial
A abordagem clínica atual baseia-se principalmente em suporte metabólico e otimização da função mitocondrial. Entre as estratégias utilizadas estão:
riboflavina (vitamina B2)
coenzima Q10
carnitina
tiamina (vitamina B1)
antioxidantes.
Tratamentos em estudo
Ainda não existe terapia curativa específica para defeitos do Complexo II. Entretanto, diferentes estratégias estão sendo investigadas:
terapia gênica
edição genética com CRISPR
transferência mitocondrial
terapias metabólicas.
1. Terapia gênica
A terapia gênica busca introduzir uma cópia funcional do gene alterado nas células do paciente, restaurando a função da proteína.
Essa estratégia é particularmente promissora para genes nucleares associados a
doenças mitocondriais, como SDHB.
👉Centros que estudam terapia gênica em doenças mitocondriais
Este centro tem desenvolvido modelos celulares e animais para doenças mitocondriais nucleares.
Resultados obtidos
correção experimental de defeitos mitocondriais em modelos celulares
melhora da função respiratória em modelos animais.
Este é um dos maiores centros de pesquisa em doenças mitocondriais da Europa.
Resultados
desenvolvimento de vetores virais para entrega de genes mitocondriais
estudos pré-clínicos em terapia gênica para doenças mitocondriais nucleares.
2. Edição genética com CRISPR
A edição genética busca corrigir diretamente mutações no DNA, utilizando ferramentas como CRISPR-Cas9.
Essa estratégia pode teoricamente corrigir mutações em genes como:
SDHA
SDHB
SDHC
SDHD.
👉Centros que investigam CRISPR para doenças mitocondriais
Este instituto é um dos principais centros mundiais de pesquisa em edição genética.
Resultados
desenvolvimento de ferramentas de edição genética mais precisas
estudos experimentais em doenças metabólicas e mitocondriais.
Resultados
modelos celulares de doenças mitocondriais
testes experimentais de edição genética em células.
3. Transferência mitocondrial
Uma das áreas mais novas da medicina mitocondrial é a transferência de mitocôndrias saudáveis entre células.
Estudos mostram que algumas células podem transferir mitocôndrias funcionais para células com deficiência energética.
👉Centros que pesquisam transferência mitocondrial
Este programa estuda diversos mecanismos de reparo mitocondrial.
Resultados
evidências experimentais de transferência mitocondrial entre células
melhora da função energética em modelos celulares.
Resultados
estudos sobre dinâmica mitocondrial
pesquisas em terapias celulares para doenças mitocondriais.
4. Terapias metabólicas
Atualmente, a abordagem terapêutica mais utilizada é o suporte metabólico mitocondrial. Essa estratégia busca melhorar a eficiência da cadeia respiratória e reduzir o estresse oxidativo.
👉Centros que lideram pesquisas em terapias metabólicas
University of California San Diego Mitochondrial Medicine Center
Resultados
estudos clínicos com antioxidantes mitocondriais
avaliação de moléculas como elamipretide.
Resultados
identificação de novos biomarcadores mitocondriais
desenvolvimento de terapias metabólicas experimentais.
5.Medicamentos reutilizados em estudo (drug repurposing)
Uma estratégia crescente na medicina mitocondrial é o reaproveitamento de medicamentos já aprovados para outras doenças.Essa abordagem permite acelerar pesquisas, pois muitos desses fármacos já possuem perfil de segurança conhecido.
Entre os medicamentos estudados para doenças mitocondriais estão:
1. Riboflavina (vitamina B2)
A riboflavina é provavelmente o medicamento reutilizado com base bioquímica mais lógica para defeitos do Complexo II.
Isso ocorre porque a succinate dehydrogenase utiliza o cofator: FAD (flavina adenina dinucleotídeo) que deriva da riboflavina.
Evidências
Alguns estudos em doenças mitocondriais envolvendo flavoproteínas mostraram:
aumento da atividade enzimática residual
melhora de parâmetros metabólicos.
Entretanto:
não existem estudos clínicos específicos para SDHB.
2. Dimetil fumarato
O dimetil fumarato (usado em esclerose múltipla) tem sido investigado em modelos de tumores com deficiência de SDH.
A lógica bioquímica envolve o metabolismo de: succinato → fumarato
Na deficiência de SDH ocorre acúmulo de succinato, que altera vias metabólicas. O dimetil fumarato ativa a via antioxidante: NRF2 o que pode reduzir estresse oxidativo celular.
Evidências
Estudos experimentais sugerem:
modulação do metabolismo celular
redução de inflamação metabólica.
Mas:
não existem ensaios clínicos direcionados para mutações SDHB em doença mitocondrial.
3. Metformina
A metformina tem sido investigada em tumores SDH-deficientes, porque altera o metabolismo mitocondrial e a sinalização energética.
Ela ativa: AMPK, o que pode melhorar:
metabolismo energético celular
biogênese mitocondrial.
Evidências
Alguns estudos em laboratório mostraram:
redução do crescimento tumoral em células SDH-deficientes.
Mas seu uso em doenças mitocondriais primárias é controverso, devido ao risco de acidose láctica.
4. Idebenona
A idebenona é um análogo da coenzima Q10 que atua como transportador de elétrons.
Ela pode facilitar o fluxo eletrônico na cadeia respiratória.
Evidências
Estudos clínicos foram realizados em:
neuropatia óptica de Leber
algumas miopatias mitocondriais.
Porém:
não existem estudos específicos em mutações SDHB.
5. Bezafibrato
O bezafibrato é um agonista de receptores PPAR, que estimulam a biogênese mitocondrial. Ele foi estudado em modelos experimentais de doenças mitocondriais.
Evidências
Alguns estudos mostraram:
aumento da expressão de genes mitocondriais
melhora da função respiratória celular.
Mas os resultados em humanos são inconsistentes.
Coenzima Q10 (Ubiquinona / Ubiquinol)
A coenzima Q10 é um componente essencial da cadeia respiratória mitocondrial.
Ela atua como transportador de elétrons entre:
Complexo I
Complexo II
Complexo III.
Quando a atividade do Complexo II está reduzida, aumentar a disponibilidade de CoQ10 pode ajudar a otimizar o fluxo eletrônico residual na cadeia respiratória.
Por esse motivo, a CoQ10 é um dos suplementos mais utilizados em protocolos de suporte mitocondrial.
Estudos clínicos mostraram benefícios em algumas doenças mitocondriais, especialmente em:
miopatias mitocondriais
deficiências primárias de CoQ10.
Entretanto, não existem ensaios clínicos específicos para mutações SDHB.
Vitamina K2 (menaquinona)
A vitamina K2 tem sido investigada como um possível transportador alternativo de elétrons na cadeia respiratória.
Essa hipótese surgiu após estudos em modelos experimentais de doenças mitocondriais demonstrarem que a vitamina K2 pode atuar de forma semelhante à ubiquinona.
Em modelos celulares, a vitamina K2 foi capaz de:
facilitar a transferência de elétrons na cadeia respiratória
melhorar a produção de ATP.
Esses estudos sugerem que a vitamina K2 poderia funcionar como uma espécie de “bypass metabólico”, ajudando a contornar parcialmente defeitos na cadeia respiratória.
Até o momento, porém, os estudos ainda são experimentais, e não existem ensaios clínicos direcionados para defeitos do Complexo II ou SDHB.
Por que existem poucos estudos em SDHB
Existem duas razões principais.
1. A doença é muito rara
Defeitos do Complexo II representam uma pequena fração das doenças mitocondriais.
2. Complexo II é difícil de contornar metabolicamente
Diferente do Complexo I, o Complexo II está diretamente ligado ao:
ciclo de Krebs. Isso torna mais difícil criar rotas metabólicas alternativas.
6.Peptídeos mitocondriais em estudo
Nos últimos anos surgiu uma nova área de pesquisa envolvendo peptídeos direcionados à mitocôndria.
Essas moléculas atuam diretamente na função mitocondrial, podendo:
estabilizar a membrana mitocondrial
melhorar o transporte de elétrons
reduzir o estresse oxidativo
modular o metabolismo energético celular.
Alguns desses peptídeos já estão sendo investigados em doenças mitocondriais humanas.
📌Elamipretide (SS-31)
Código do peptídeo: SS-31
Sequência: D-Arg-2′6′-dimethylTyr-Lys-Phe-NH₂
Classe: peptídeo direcionado à mitocôndria (Szeto-Schiller peptide)
O Elamipretide é um dos peptídeos mitocondriais mais estudados atualmente.
Ele se liga à cardiolipina, um fosfolipídio da membrana interna da mitocôndria que é essencial para a organização da cadeia respiratória.
Efeitos observados
estabilização da membrana mitocondrial
melhora do transporte de elétrons
redução da produção de radicais livres
melhora da eficiência da fosforilação oxidativa.
Estudos clínicos
Os principais estudos clínicos foram realizados em:
miopatias mitocondriais primárias
síndrome de Barth.
Alguns estudos mostraram melhora de parâmetros como:
capacidade de exercício
fadiga muscular
função mitocondrial.
Existe estudo específico em SDHB?
Até o momento:
não existem estudos clínicos específicos em mutações SDHB
Entretanto, como o mecanismo do Elamipretide atua na estabilização da cadeia respiratória, ele pode teoricamente beneficiar defeitos em diferentes complexos, incluindo o Complexo II.
📌MOTS-c
Nome completo: Mitochondrial Open Reading Frame of the 12S rRNA-c
Código: MOTS-c
Sequência: 16 aminoácidos
Origem: gene mitocondrial dentro do 12S rRNA
O MOTS-c é um peptídeo derivado do DNA mitocondrial, pertencente ao grupo chamado: MDPs (mitochondrial-derived peptides).
Funções descritas
Pesquisas sugerem que o MOTS-c pode:
melhorar a sensibilidade à insulina
modular o metabolismo energético
ativar vias de resposta ao estresse metabólico
estimular a via AMPK.
Aplicações em estudo
Estudos experimentais investigam seu papel em:
resistência à insulina
obesidade
envelhecimento metabólico
doenças mitocondriais.
Existe estudo específico em SDHB?
Até o momento:
não há estudos direcionados especificamente para mutações SDHB
A maioria das pesquisas envolve:
metabolismo energético sistêmico
envelhecimento.
📌 Humanina
Código: Humanin (HN)
Sequência: 24 aminoácidos
Origem: gene mitocondrial MT-RNR2
A Humanina é outro peptídeo derivado da mitocôndria, descoberto inicialmente por seu efeito protetor contra morte celular.
Efeitos descritos
ação citoprotetora
redução de estresse oxidativo
modulação da apoptose
proteção neuronal.
Áreas de pesquisa
Esse peptídeo vem sendo estudado principalmente em:
doença de Alzheimer
doenças neurodegenerativas
envelhecimento.
Existe estudo específico em SDHB?
Até o momento:
não existem estudos direcionados especificamente para defeitos do Complexo II ou SDHB
O que esses peptídeos têm em comum
Esses peptídeos fazem parte de uma nova classe chamada: Mitochondrial-Derived Peptides (MDPs).
Eles atuam como sinalizadores metabólicos, conectando a função mitocondrial com processos celulares mais amplos.
Embora ainda estejam em fase experimental, esses peptídeos representam uma das áreas mais promissoras da medicina mitocondrial moderna.
O que esses estudos mostram até agora
Apesar dos avanços, a maioria dessas terapias ainda se encontra em:
fase experimental
estudos pré-clínicos
pequenos ensaios clínicos.
Entretanto, o ritmo de avanço na medicina mitocondrial tem sido rápido, e novas abordagens terapêuticas estão sendo continuamente investigadas. Conclusão
O Complexo II mitocondrial representa um ponto de conexão fundamental entre o metabolismo celular e a produção de energia.
Embora as mutações no gene SDHB sejam raras, seu estudo tem contribuído para aprofundar o entendimento da biologia mitocondrial e de diversas doenças relacionadas ao metabolismo energético.
Com o avanço da genética, da bioquímica e da medicina mitocondrial, novas ferramentas diagnósticas e terapêuticas continuam sendo desenvolvidas, ampliando o conhecimento científico e abrindo caminhos para abordagens mais precisas no futuro.
Sou Dra. Berenice Cunha Wilke, médica formada pela UNIFESP em 1981, com residência em Pediatria na UNICAMP. Obtive mestrado e doutorado em Nutrição Humana na Université de Nancy I, França, e sou especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira. Também tenho expertise em Medicina Tradicional Chinesa e uma Certificação Internacional em Endocannabinoid Medicine. Lecionei em universidades brasileiras e portuguesas, e atualmente atendo em meu consultório, oferecendo minha vasta experiência em medicina, nutrição e medicina tradicional chinesa aos pacientes.
Para saber mais:
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