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🧩 Tecido conjuntivo: quando o corpo também entra no espectro autista

  • Foto do escritor: Berenice Cunha Wilke
    Berenice Cunha Wilke
  • há 23 horas
  • 7 min de leitura

Por Dra. Berenice C. Wilke


Neurodivergência, tecido conjuntivo, sistema autonômico e inflamação


Um novo olhar sobre as conexões entre cérebro, corpo e neurodivergência. Durante muito tempo, autismo e TDAH foram vistos quase exclusivamente como condições “do cérebro”.


As discussões se concentravam principalmente em comportamento, linguagem, atenção, comunicação e funcionamento cognitivo.


Mas, aos poucos, a ciência começou a perceber algo importante:


👉 em parte das pessoas neurodivergentes, incluindo autismo e TDAH, o corpo inteiro parece participar da equação.


E isso começou a chamar atenção porque muitos indivíduos relatavam sintomas que iam muito além do neurocomportamental.


Não estamos falando apenas de diferenças de comunicação ou processamento sensorial.


Estamos falando também de:

  • fadiga desproporcional

  • dores crônicas

  • tontura

  • hipersensibilidade corporal

  • alterações gastrointestinais

  • intolerância ao esforço

  • alterações do sono

  • sensação persistente de exaustão

  • sintomas autonômicos

  • manifestações inflamatórias e histamínicas


Durante muito tempo, muitos desses sintomas foram interpretados apenas como ansiedade, somatização ou consequência do estresse crônico.


Mas hoje começa a surgir uma hipótese mais ampla:

👉 talvez, em parte das pessoas neurodivergentes, diferentes sistemas biológicos do organismo estejam profundamente conectados.


E um dos temas que mais vem chamando atenção dos pesquisadores é justamente a possível relação entre neurodivergência e tecido conjuntivo.


🧬 O tecido conjuntivo vai muito além das articulações

Quando pensamos em tecido conjuntivo, normalmente imaginamos articulações, ligamentos ou hipermobilidade.


Mas ele está presente no organismo inteiro.


O tecido conjuntivo participa da sustentação, comunicação e organização de praticamente todos os tecidos do corpo:

  • vasos sanguíneos

  • pele

  • intestino

  • fáscias

  • matriz extracelular

  • barreiras biológicas

  • estruturas de suporte celular


Ou seja:🧬 ele ajuda literalmente a conectar o organismo inteiro.


Por isso, alterações do tecido conjuntivo podem repercutir muito além da flexibilidade articular.


Nos últimos anos, pesquisadores começaram a observar que parte das pessoas neurodivergentes também apresentava maior frequência de:

  • hipermobilidade articular

  • frouxidão ligamentar

  • dores musculares

  • cefaleias

  • sintomas gastrointestinais

  • fadiga

  • disautonomia/POTS

  • alterações mastocitárias e histamínicas


E um ponto importante começou a emergir:👉 autistas com hipermobilidade parecem apresentar mais sintomas físicos e pior qualidade de vida.


Estudos recentes observaram maior frequência de:

  • fadiga

  • dor

  • limitações funcionais

  • sintomas autonômicos

  • impacto físico e mental no cotidiano.


Isso vem reforçando uma ideia importante:


🧠 cérebro e corpo talvez não funcionem de forma tão separada quanto imaginávamos.


⚡ O sistema nervoso autonômico: quando o corpo permanece em alerta

Outro eixo importante nessa discussão é o sistema nervoso autonômico.


Ele regula funções automáticas essenciais para a sobrevivência, como:

  • frequência cardíaca

  • pressão arterial

  • digestão

  • temperatura corporal

  • sudorese

  • resposta ao estresse


Em algumas pessoas neurodivergentes, parece existir uma tendência a hiperativação simpática.


Em outras palavras:⚡ um organismo constantemente em estado de alerta.


Isso pode contribuir para:

  • hipervigilância corporal

  • tensão muscular persistente

  • exaustão após estímulos

  • dificuldade de recuperação

  • pior tolerância ao esforço

  • alterações gastrointestinais

  • sensibilidade aumentada


Muitas vezes, não se trata apenas de ansiedade psicológica.


O próprio sistema regulatório do corpo pode estar funcionando em um padrão de hiperreatividade fisiológica.


POTS e disautonomia: quando o organismo perde eficiência na adaptação

Dentro dessa discussão, uma condição começou a aparecer repetidamente: a disautonomia — especialmente a POTS (Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática).


A disautonomia envolve alterações do sistema nervoso autonômico.


No POTS, o organismo apresenta dificuldade para se adaptar adequadamente à posição em pé.


Como consequência, podem surgir sintomas como:

  • tontura

  • taquicardia

  • sensação de desmaio

  • fadiga intensa

  • intolerância ortostática

  • “brain fog”

  • piora após esforço

  • alterações gastrointestinais


👉 Algumas pessoas também podem apresentar episódios vasovagais, mostrando como o sistema autonômico pode responder de forma instável — ora com hiperativação, ora com respostas exageradas de queda de pressão.


Por muitos anos, esses sintomas foram frequentemente interpretados apenas como ansiedade.


Mas hoje sabemos que pode existir uma alteração fisiológica real da regulação autonômica.


E algo começou a chamar atenção:👉 disautonomia, hipermobilidade, mastócitos e neurodivergência aparecem repetidamente associados em muitos pacientes.


Ainda não existe uma explicação única para isso.


Mas o tema vem crescendo rapidamente na literatura científica.


🧩 Quando diferentes sistemas começam a aparecer juntos

Um ponto que vem chamando atenção dos pesquisadores é que algumas alterações parecem surgir em conjunto em parte das pessoas neurodivergentes — incluindo autismo e TDAH.


Estudos recentes começaram a descrever um possível “cluster” envolvendo:

  • hipermobilidade e tecido conjuntivo

  • disautonomia/POTS

  • disfunção imune e mastócitos


Esse tipo de associação vem sendo observado especialmente em indivíduos com TDAH e traços de hipermobilidade.


Isso é importante porque sugere que talvez não estejamos olhando para sintomas isolados e independentes.


Talvez exista uma interação entre múltiplos sistemas regulatórios do organismo.


Mastócitos, histamina e inflamação

Outro sistema que entrou definitivamente nessa discussão foi o sistema mastocitário.

Os mastócitos são células do sistema imune envolvidas em:

  • inflamação

  • alergias

  • resposta ambiental

  • comunicação neuroimune


Quando hiperativados, podem liberar mediadores inflamatórios — incluindo histamina — capazes de influenciar:

  • intestino

  • pele

  • sistema nervoso

  • sono

  • sensorialidade

  • resposta inflamatória

  • percepção corporal


Por isso, pesquisadores começaram a investigar possíveis conexões entre:

  • tecido conjuntivo

  • sistema autonômico

  • mastócitos/histamina

  • neurodivergência


Isso ainda está sendo estudado.


Mas talvez ajude a explicar por que algumas pessoas apresentam simultaneamente:

  • hipersensibilidade corporal

  • sintomas gastrointestinais

  • fadiga

  • alterações sensoriais

  • manifestações inflamatórias

  • intolerância ao excesso de estímulos.


🔋 A fadiga começou a ser levada muito mais a sério

Outro ponto que mudou muito nos últimos anos foi a forma como a fadiga passou a ser interpretada.


Durante muito tempo, sintomas como:

  • exaustão intensa

  • piora após estímulos

  • intolerância ao esforço

  • dificuldade de recuperação física e mental

foram frequentemente vistos apenas como consequência emocional ou psicológica.


Hoje, vários grupos começaram a discutir esses sintomas de forma muito mais fisiológica.


As hipóteses envolvem:

  • metabolismo energético

  • função mitocondrial

  • estresse oxidativo

  • inflamação crônica

  • hiperativação autonômica persistente


O cérebro é um órgão com enorme demanda energética.


E talvez, em parte das pessoas neurodivergentes, exista um custo fisiológico aumentado para lidar com:

  • hiperalerta corporal

  • excesso sensorial

  • inflamação

  • desregulação autonômica

  • sobrecarga ambiental.


Isso pode contribuir para:

  • sensação persistente de exaustão

  • piora importante após estímulos

  • dificuldade de recuperação física e mental.


🧠 O cérebro e o tecido conjuntivo talvez compartilhem vias biológicas

Outra hipótese emergente é que cérebro e tecido conjuntivo talvez compartilhem algumas vias biológicas em comum.


As discussões atuais incluem possíveis relações envolvendo:

  • colágeno e matriz extracelular

  • desenvolvimento neural

  • barreiras biológicas

  • propriocepção

  • integração sensorial

  • conectividade entre células


Ainda estamos longe de conclusões definitivas.


Mas isso pode ajudar a explicar por que algumas pessoas apresentam simultaneamente:

  • hipermobilidade

  • disautonomia

  • sintomas histamínicos

  • fadiga

  • alterações sensoriais e autonômicas.


🌿 O sistema endocanabinoide: uma possível ponte entre cérebro e corpo

Entre todos esses sistemas, um dos mais interessantes talvez seja o sistema endocanabinoide.


Ele participa justamente da regulação de múltiplos processos envolvidos nessa discussão:

  • excitabilidade neuronal

  • inflamação

  • dor

  • sono

  • resposta ao estresse

  • metabolismo energético

  • sistema autonômico

  • sensorialidade


Em outras palavras:🌿 ele ajuda o organismo a manter equilíbrio.


Por isso, muitos pesquisadores passaram a enxergá-lo como um possível sistema integrador entre cérebro e corpo.


Talvez ele participe justamente da comunicação entre:

  • sistema nervoso

  • sistema imune

  • metabolismo energético

  • tecido conjuntivo

  • resposta ao estresse fisiológico.


🧩 Um novo olhar sobre neurodivergência

A ciência ainda está muito longe de respostas definitivas.


Nem toda pessoa autista terá alterações do tecido conjuntivo.


Nem toda pessoa com hipermobilidade será neurodivergente.


E essas associações provavelmente envolvem múltiplos mecanismos diferentes.


Mas algo importante parece estar emergindo da literatura científica:


👉 Talvez algumas formas de neurodivergência, como autismo e TDAH, envolvam muito mais do que o cérebro sozinho.


Talvez envolvam uma interação complexa entre:

  • tecido conjuntivo

  • sistema nervoso autonômico

  • sistema imune

  • metabolismo energético

  • sistemas regulatórios do organismo como o sistema endocanabinoide


E entender essas conexões talvez ajude a construir formas mais amplas, integradas e individualizadas de cuidado.



E se, em parte da neurodivergência, o corpo também participasse da equação? Tecido conjuntivo, disautonomia, mastócitos, fadiga e metabolismo energético começaram a aparecer conectados em estudos recentes sobre autismo e TDAH. Um novo olhar sobre as conexões entre cérebro, corpo e sistemas regulatórios do organismo.
E se, em parte da neurodivergência, o corpo também participasse da equação? Tecido conjuntivo, disautonomia, mastócitos, fadiga e metabolismo energético começaram a aparecer conectados em estudos recentes sobre autismo e TDAH. Um novo olhar sobre as conexões entre cérebro, corpo e sistemas regulatórios do organismo.





Sou Dra. Berenice Cunha Wilke, médica formada pela UNIFESP em 1981, com residência em Pediatria na UNICAMP. Obtive mestrado e doutorado em Nutrição Humana na Université de Nancy I, França, e sou especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira. Também tenho expertise em Medicina Tradicional Chinesa e uma Certificação Internacional em Endocannabinoid Medicine. Lecionei em universidades brasileiras e portuguesas, e atualmente atendo em meu consultório, oferecendo minha vasta experiência em medicina, nutrição e medicina tradicional chinesa aos pacientes.



Para saber mais:


  1. Crompton CJ, Sharp M, Bissell S, et al. Health experiences and outcomes of autistic and non-autistic adults with hypermobile Ehlers-Danlos syndrome and hypermobility spectrum disorder. BMC Med. 2026;24:113. Disponível em: BMC Medicine – Health experiences and outcomes of autistic and non-autistic adults with hypermobility

  2. Kustow J. Hypermobility, immune dysfunction and dysautonomia cluster in ADHD. Eur Psychiatry. 2025;68(Suppl 1):S54. doi:10.1192/j.eurpsy.2025.189. Disponível em: European Psychiatry – Hypermobility, immune dysfunction and dysautonomia cluster in ADHD

  3. Priego-González L, et al. The role of mast cells in Autism Spectrum Disorder. Neurosci Biobehav Rev. 2025;170:106012. Disponível em: Neuroscience & Biobehavioral Reviews – The role of mast cells in Autism Spectrum Disorder

  4. Casanova EL, Baeza-Velasco C, Buchanan CB, Casanova MF. The relationship between autism and Ehlers-Danlos syndromes/hypermobility spectrum disorders. J Pers Med. 2020;10(4):260. doi:10.3390/jpm10040260. Disponível em: Journal of Personalized Medicine – Autism and Ehlers-Danlos Syndromes/Hypermobility Spectrum Disorders

  5. Kindgren E, Quiñones Perez A, Knez R. Prevalence of ADHD and Autism Spectrum Disorder in children with hypermobility spectrum disorders or hypermobile Ehlers-Danlos syndrome: a retrospective study. Neuropsychiatr Dis Treat. 2021;17:379-388. Disponível em: Neuropsychiatric Disease and Treatment – ADHD and Autism in hypermobility disorders

  6. Özdemir Ö. Mast cell activation syndrome: an up-to-date review of literature. World J Clin Pediatr. 2024;13(2):94577. Disponível em: World Journal of Clinical Pediatrics – Mast cell activation syndrome review

  7. Blitshteyn S. Dysautonomia, hypermobility spectrum disorders and mast cell activation syndrome as migraine comorbidities. Disponível em: Curr Neurol Neurosci Rep. 2023;23:769-776. doi:10.1007/s11910-023-01307-w.

  8. Aziz Q, et al. AGA clinical practice update on gastrointestinal manifestations and autonomic or immune dysfunction in hypermobile Ehlers-Danlos syndrome: expert review. Disponível em: Clin Gastroenterol Hepatol. 2025.

  9. Daylor V, et al. Defining the chronic complexities of hEDS and HSD. J Multidiscip Healthc. 2025. Disponível em: PMC – Defining the Chronic Complexities of hEDS and HSD

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