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Linfangiectasia intestinal: entendendo a doença e como cuidar no dia a dia

  • Foto do escritor: Berenice Cunha Wilke
    Berenice Cunha Wilke
  • 9 de jan.
  • 5 min de leitura

A linfangiectasia intestinal é uma condição rara e pouco conhecida, que costuma gerar muitas dúvidas quando aparece em exames como a cápsula endoscópica. Apesar do nome complicado, o problema pode ser entendido de forma simples — e isso ajuda muito no tratamento.


Neste texto, vamos explicar o que é a linfangiectasia, quais sintomas podem surgir e por que a alimentação é a parte mais importante do cuidado.


O que é a linfangiectasia intestinal?

Dentro do intestino existem pequenos “vasinhos” chamados vasos linfáticos. Eles têm uma função importante: transportar a gordura dos alimentos depois que ela é absorvida. Na linfangiectasia, esses vasos não funcionam bem. Eles ficam dilatados ou sobrecarregados e não conseguem levar a gordura adiante. Como consequência, parte da gordura e das proteínas acaba sendo perdida pelo intestino, em vez de ser aproveitada pelo organismo.


Quais sintomas podem aparecer?

Algumas pessoas quase não sentem nada, mas em outros casos podem surgir:

  • Inchaço nas pernas, nos pés ou no abdome

  • Diarreia persistente

  • Cansaço excessivo

  • Perda de peso ou dificuldade para ganhar peso

  • Infecções mais frequentes

  • Exames de sangue com proteínas baixas


Esses sintomas acontecem porque o corpo deixa de absorver corretamente nutrientes importantes.


Como a doença é descoberta?

Muitas vezes, a linfangiectasia é identificada em exames do intestino, como a cápsula endoscópica, que mostra áreas esbranquiçadas na mucosa intestinal.


Os exames de sangue também ajudam muito e podem mostrar:

  • Albumina baixa

  • Proteínas totais baixas

  • Alterações nas células de defesa

  • Vitaminas lipossolúveis abaixo do normal, como as vitaminas A, D, E e K.


Existe remédio para tratar a linfangiectasia?

Essa é uma pergunta muito comum — e a resposta é importante:


👉 Não existe um medicamento que faça o intestino absorver melhor a gordura comum.


Isso acontece porque o problema não está na digestão, mas no “caminho” que a gordura precisa fazer dentro do intestino. Por isso, enzimas digestivas ou remédios para o estômago não resolvem essa condição.


Então, como é feito o tratamento?

O tratamento é baseado principalmente na alimentação.


O objetivo da dieta é:

  • Diminuir bastante a gordura comum

  • Evitar alimentos como:

    • Óleos e frituras

    • Castanhas, nozes, amendoim

    • Abacate

    • Alimentos muito gordurosos


Em alguns casos, o médico ou a nutricionista podem orientar o uso de uma gordura especial chamada TCM (triglicerídeo de cadeia média). Esse tipo de gordura é absorvido de forma diferente e não sobrecarrega o intestino.


Além disso:

  • A ingestão adequada de proteínas é essencial

  • Pode ser necessário suplementar vitaminas, especialmente as vitaminas A, D, E e K


A importância da microbiota intestinal na linfangiectasia

Além das alterações nos vasos linfáticos, a linfangiectasia também exige atenção ao equilíbrio da microbiota intestinal, que é o conjunto de bactérias benéficas que vivem no intestino.


A microbiota desempenha funções essenciais:

  • Ajuda na digestão dos alimentos

  • Produz substâncias que nutrem a mucosa intestinal

  • Contribui para a absorção de nutrientes

  • Atua na regulação do sistema imunológico


Quando ocorre um desequilíbrio dessas bactérias — chamado de disbiose — o intestino pode ficar mais inflamado e sensível, o que pode:

  • Piorar a diarreia

  • Aumentar o desconforto abdominal

  • Dificultar ainda mais a absorção de nutrientes


Na linfangiectasia, esse cuidado é ainda mais importante porque:

  • O intestino já está mais vulnerável

  • Dietas muito restritivas podem reduzir a diversidade da microbiota

  • A perda de proteínas e nutrientes pode afetar a saúde intestinal ao longo do tempo


É importante destacar que a microbiota não é a causa da linfangiectasia, mas um intestino com microbiota mais equilibrada responde melhor ao tratamento nutricional e clínico.


Avaliação da microbiota intestinal por exame de fezes (shotgun)

Em algumas situações, o médico pode sugerir a realização de um exame mais detalhado da microbiota intestinal, chamado de sequenciamento por shotgun metagenômico.


Esse exame analisa uma amostra de fezes e permite identificar a composição dos microrganismos presentes no intestino, incluindo bactérias, arqueas e fungos.


O objetivo desse exame não é diagnosticar a linfangiectasia, mas compreender melhor o equilíbrio da microbiota intestinal, especialmente em pessoas que apresentam:

  • Diarreia persistente

  • Distensão abdominal frequente

  • Desconforto intestinal importante

  • Resposta limitada às mudanças alimentares


Com essas informações, é possível:

  • Avaliar a diversidade da microbiota

  • Identificar desequilíbrios relevantes

  • Orientar ajustes mais individualizados na alimentação

  • Avaliar, em casos selecionados, o uso de prebióticos ou probióticos


É importante reforçar que esse exame não é necessário para todos os pacientes e deve ser indicado de forma individualizada, sempre com interpretação médica adequada.


Suporte mitocondrial: por que ele é importante na linfangiectasia?

Na linfangiectasia intestinal, o problema principal é a dificuldade do intestino em absorver corretamente gorduras e outros nutrientes. Com o tempo, essa limitação pode levar a déficits nutricionais, perda de massa muscular, cansaço persistente e redução da disposição física e mental.


As mitocôndrias, que são as “usinas de energia” das células, dependem de nutrientes adequados para funcionar bem. Quando o intestino não consegue absorver esses nutrientes de forma eficiente, a produção de energia celular pode ficar comprometida.


Por isso, o suporte mitocondrial pode ser um aliado importante no cuidado da linfangiectasia, ajudando o organismo a:

  • Produzir energia de forma mais eficiente

  • Reduzir fadiga e fraqueza

  • Melhorar a tolerância ao esforço físico

  • Apoiar a recuperação muscular e intestinal

  • Contribuir para melhor qualidade de vida


Esse suporte não trata a causa da linfangiectasia, mas ajuda o corpo a lidar melhor com as consequências metabólicas e nutricionais da doença.


Por que o acompanhamento é tão importante?

A linfangiectasia precisa de acompanhamento regular para:

  • Ajustar a alimentação

  • Corrigir deficiências nutricionais

  • Evitar complicações como inchaço importante ou infecções


Exames simples de sangue ajudam a monitorar se o tratamento está funcionando.


Uma mensagem final

Receber o diagnóstico de linfangiectasia intestinal pode causar preocupação, mas a boa notícia é que muitas pessoas evoluem muito bem quando seguem a dieta e o acompanhamento médico.


A alimentação não é apenas uma recomendação — ela faz parte do tratamento. E o apoio da família faz toda a diferença para que esse cuidado funcione no dia a dia.


💚 Informação, orientação correta e acompanhamento regular ajudam a viver melhor com a doença.


Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individual.


Imagem da cápsula endoscópica mostrando a linfangiectasia intestinal.  Essas áreas claras indicam que o intestino não está conseguindo transportar corretamente a gordura dos alimentos.
Imagem da cápsula endoscópica mostrando a linfangiectasia intestinal.  Essas áreas claras indicam que o intestino não está conseguindo transportar corretamente a gordura dos alimentos.

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Sou Dra. Berenice Cunha Wilke, médica formada pela UNIFESP em 1981, com residência em Pediatria na UNICAMP. Obtive mestrado e doutorado em Nutrição Humana na Université de Nancy I, França, e sou especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira. Também tenho expertise em Medicina Tradicional Chinesa e uma Certificação Internacional em Endocannabinoid Medicine. Lecionei em universidades brasileiras e portuguesas, e atualmente atendo em meu consultório, oferecendo minha vasta experiência em medicina, nutrição e medicina tradicional chinesa aos pacientes.

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