Eixo inflamatório e imune no TEA - como cuidar
- Berenice Cunha Wilke
- 2 de mai.
- 4 min de leitura
Atualizado: há 3 dias
Por Dra. Berenice C. Wilke
Quando o sistema imune está em desequilíbrio
No texto anterior, falamos sobre o eixo inflamatório e imune no TEA e como alterações imunológicas podem participar do funcionamento cerebral em alguns subgrupos do espectro.
Mas existe um ponto importante:
👉 o problema nem sempre é um sistema imune “forte demais”. Em muitos casos, o que existe é uma desregulação imunológica.
E essa desregulação pode aparecer de diferentes formas:
inflamação aumentada,
alergias,
ativação mastocitária,
sensibilidade inflamatória,
mas também:
infecções de repetição,
recuperação lenta após doenças,
maior vulnerabilidade a vírus,
e dificuldade de adaptação imunológica.
Ou seja:
👉 o sistema pode estar hiperativado em alguns mecanismos…e menos eficiente em outros.
O sistema imune não funciona como um botão de “liga e desliga”.
Ele envolve múltiplos sistemas complexos que precisam trabalhar em equilíbrio.
🧠 O cérebro não está separado do corpo
Hoje sabemos que cérebro, intestino, metabolismo e sistema imune funcionam de forma integrada.
Alterações imunológicas podem influenciar:
inflamação cerebral,
regulação emocional,
sensibilidade sensorial,
comportamento,
sono,
fadiga,
funcionamento gastrointestinal,
e adaptação ao estresse.
Ao mesmo tempo, o próprio organismo pode sofrer impacto de:
sono ruim,
alimentação inadequada,
estresse crônico,
sedentarismo,
disbiose intestinal,
sobrecarga metabólica,
e inflamação persistente.
Por isso, o cuidado costuma envolver uma visão global do organismo.
🌿 Intestino, microbiota e imunidade
Grande parte do sistema imune está relacionada ao intestino.
A microbiota ajuda a regular:
inflamação,
integridade da barreira intestinal,
resposta imunológica,
e tolerância imunológica.
Quando existe:
disbiose,
baixa diversidade bacteriana,
aumento de permeabilidade intestinal,
inflamação intestinal,
ou alimentação muito ultraprocessada,
👉 o sistema pode entrar em desequilíbrio.
E esse desequilíbrio pode gerar tanto:
aumento de inflamação,
quanto:
maior vulnerabilidade imunológica.
Por isso, o cuidado intestinal frequentemente faz parte do cuidado.
🥗 Alimentação e defesa do organismo
A alimentação influencia diretamente o funcionamento imunológico.
Dietas pobres em nutrientes e ricas em ultraprocessados podem favorecer:
inflamação persistente,
alterações metabólicas,
piora da microbiota,
e menor estabilidade imunológica.
Enquanto isso, padrões alimentares mais naturais tendem a favorecer:
melhor diversidade bacteriana,
produção de metabólitos protetores,
estabilidade glicêmica,
e funcionamento imunológico mais equilibrado.
Além disso, em pacientes com seletividade alimentar importante, vale atenção para possíveis carências nutricionais que podem impactar a imunidade:
ferro,
zinco,
vitamina D,
proteínas,
vitaminas do complexo B,
entre outros nutrientes essenciais.
🦠 Quando aparecem infecções de repetição
Em alguns indivíduos no espectro, podem ocorrer:
otites frequentes,
sinusites recorrentes,
amigdalites,
candidíase de repetição,
viroses frequentes,
recuperação lenta após infecções,
ou piora importante do funcionamento após doenças comuns.
Nesses casos, é importante investigar:
qualidade do sono,
seletividade alimentar,
carências nutricionais,
microbiota intestinal,
alergias,
inflamação persistente,
alterações de mucosa,
e, em alguns casos, possíveis alterações imunológicas específicas.
O objetivo não é “estimular a imunidade” de forma inespecífica.
👉 o foco é melhorar a organização e a regulação do sistema imune.
😴 Sono e sistema imune
O sono é um dos grandes reguladores da imunidade.
Dormir mal pode:
aumentar inflamação,
piorar a resposta imunológica,
aumentar estresse oxidativo,
prejudicar recuperação do organismo,
e aumentar vulnerabilidade a infecções.
Em muitos pacientes, melhorar o sono traz impacto significativo no funcionamento global.
🌿 Histamina, mastócitos e inflamação
Em alguns casos, pode existir participação do eixo histaminérgico e mastocitário.
Mastócitos são células do sistema imune que liberam substâncias inflamatórias, incluindo histamina.
Quando hiperativados, podem contribuir para:
sintomas gastrointestinais,
alergias,
irritabilidade,
alterações sensoriais,
piora do sono,
desconfortos físicos,
e maior instabilidade inflamatória.
Por isso, em alguns pacientes, o cuidado inclui:
redução de gatilhos inflamatórios,
melhora intestinal,
investigação alérgica,
manejo alimentar individualizado,
e suporte médico direcionado.
🔋 Mitocôndria, energia e imunidade
O sistema imune consome enorme quantidade de energia.
Durante processos infecciosos e inflamatórios, o organismo aumenta muito o gasto energético.
Quando existe:
sobrecarga inflamatória,
estresse oxidativo,
ou alterações mitocondriais,
alguns indivíduos podem apresentar:
fadiga intensa,
pior recuperação,
exaustão após infecções,
e menor capacidade de adaptação fisiológica.
Por isso, o eixo inflamatório frequentemente se conecta ao eixo mitocondrial.
🌿 Sistema endocanabinoide e regulação
O sistema endocanabinoide participa da modulação de:
inflamação,
resposta ao estresse,
sono,
dor,
equilíbrio neuronal,
e resposta imunológica.
Hoje ele vem sendo estudado como um importante sistema regulatório do organismo.
Em alguns pacientes, sua modulação pode auxiliar:
regulação emocional,
irritabilidade,
sono,
dor,
e estabilidade funcional.
Sempre de forma individualizada e com acompanhamento profissional.
⚖️ O objetivo não é “aumentar” ou “diminuir” a imunidade
O sistema imune precisa funcionar em equilíbrio.
O cuidado não busca:
bloquear completamente a inflamação,
nem:
estimular indiscriminadamente a imunidade.
👉 O foco é melhorar a regulação do organismo.
Isso inclui:
intestino,
sono,
metabolismo,
alimentação,
microbiota,
inflamação,
energia celular,
e adaptação ao ambiente.
🧩 Um sistema integrado
O TEA é multifatorial. Nem toda pessoa autista apresenta alterações imunológicas importantes. Mas compreender o eixo inflamatório e imune ajuda a entender por que alguns indivíduos podem apresentar:
maior sensibilidade inflamatória,
alergias,
fadiga,
alterações gastrointestinais,
infecções recorrentes,
ou piora importante após estressores físicos e ambientais.
Cada organismo funciona de maneira única. E o cuidado moderno caminha cada vez mais para uma abordagem individualizada e integrada.

Sou Dra. Berenice Cunha Wilke, médica formada pela UNIFESP em 1981, com residência em Pediatria na UNICAMP. Obtive mestrado e doutorado em Nutrição Humana na Université de Nancy I, França, e sou especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira. Também tenho expertise em Medicina Tradicional Chinesa e uma Certificação Internacional em Endocannabinoid Medicine. Lecionei em universidades brasileiras e portuguesas, e atualmente atendo em meu consultório, oferecendo minha vasta experiência em medicina, nutrição e medicina tradicional chinesa aos pacientes.




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