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Diagnóstico do autismo no adulto

  • Foto do escritor: Berenice Cunha Wilke
    Berenice Cunha Wilke
  • 27 de set. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 14 de fev.

Muitos adultos passam grande parte da vida sentindo que são diferentes, mas sem conseguir compreender exatamente o porquê. Em vários desses casos, o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) só ocorre tardiamente.


Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estima que 2,21% da população adulta esteja dentro do espectro autista. No Reino Unido, a prevalência estimada é de cerca de 1% dos adultos.


O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento geralmente identificada na infância, e sua prevalência vem aumentando de forma consistente nas últimas décadas. Atualmente, muitas crianças são diagnosticadas nos primeiros anos de vida, permitindo intervenções precoces que trazem benefícios importantes para o desenvolvimento funcional, social e cognitivo.


No entanto, o diagnóstico em adultos é mais desafiador — especialmente naqueles com níveis de suporte mais leves, que se encontram em uma faixa do espectro próxima ao funcionamento típico.


Na ausência do diagnóstico, muitos sofrem por perceberem que suas reações, emoções e comportamentos diferem dos demais, gerando sensação de inadequação, isolamento social, ansiedade e depressão. Estudos indicam que a prevalência de depressão em adultos autistas pode chegar a 34%.


Além disso, uma proporção significativa enfrenta exclusão social e econômica, com impacto direto na autoestima, qualidade de vida e realização profissional.


Receber o diagnóstico na vida adulta costuma ser acompanhado de grande alívio. Ele permite que a pessoa compreenda melhor seus padrões de funcionamento, ressignifique experiências passadas e busque intervenções terapêuticas mais adequadas.


O diagnóstico também favorece:

  • Melhor compreensão por familiares e colegas

  • Ajustes ambientais e profissionais

  • Acesso a terapias e serviços especializados

  • Revisão de diagnósticos psiquiátricos prévios incorretos


Diagnóstico tardio em mulheres

O diagnóstico tardio é particularmente comum em mulheres.


Uma das razões é a maior capacidade de camuflagem social — estratégias conscientes ou inconscientes para imitar comportamentos considerados típicos. Isso pode incluir:

  • Forçar contato visual

  • Ensaiar interações sociais

  • Reprimir interesses restritos

  • Copiar expressões faciais


Como consequência, muitas recebem diagnósticos prévios de ansiedade, depressão ou transtornos de personalidade antes que o TEA seja identificado.


SINAIS DE AUTISMO NOS ADULTOS


Comunicação e interação social

  • Dificuldade em entender o que os outros pensam ou sentem

  • Dificuldade em fazer amigos

  • Preferência por ficar sozinho

  • Parecer excessivamente franco ou pouco interessado

  • Dificuldade em expressar emoções


Linguagem e interpretação

  • Interpretação literal da fala

  • Dificuldade com sarcasmo, metáforas ou ironias


Regras sociais

  • Dificuldade em entender normas sociais implícitas

  • Ansiedade em situações sociais


Padrões comportamentais

  • Necessidade de rotina rígida

  • Sofrimento intenso com mudanças


Sensorial

  • Evitar contato físico

  • Desconforto com toque ou proximidade

  • Hipersensibilidade a sons, cheiros ou estímulos


Interesses e cognição

  • Interesses muito intensos e específicos

  • Atenção extrema a detalhes

  • Planejamento excessivo antes de agirÍndice das Postagens  


Por que o diagnóstico importa?

Receber o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) na vida adulta vai muito além de dar nome a uma condição. Para muitos, representa a primeira vez em que sua história faz sentido.


Sem o diagnóstico, é comum que a pessoa cresça sentindo-se “desajustada”, “exagerada”, “fria”, “ingênua” ou “difícil”, acumulando frustrações sociais, profissionais e afetivas. Não raramente, recebe diagnósticos psiquiátricos parciais ou equivocados — como ansiedade, depressão ou transtornos de personalidade — sem que a raiz do funcionamento neurológico seja compreendida.


O diagnóstico importa porque:

1️⃣ Promove autocompreensão

Permite que a pessoa entenda seus padrões sensoriais, sociais e cognitivos sem culpa ou autojulgamento.

2️⃣ Ressignifica a trajetória de vida

Experiências passadas deixam de ser vistas como fracassos pessoais e passam a ser compreendidas dentro de um perfil neurobiológico.

3️⃣ Direciona intervenções mais eficazes

Psicoterapia, adaptações ambientais, estratégias ocupacionais e manejo sensorial tornam-se mais específicos.

4️⃣ Reduz sofrimento emocional secundário

Ansiedade, depressão e burnout social tendem a melhorar quando há entendimento do próprio funcionamento.

5️⃣ Favorece ajustes familiares e profissionais

Família, parceiros e equipes de trabalho passam a compreender limites, necessidades e potencialidades.

6️⃣ Garante acesso a direitos e suportes

Em alguns casos, permite acesso a adaptações acadêmicas, laborais e terapêuticas.


Em essência

  • Diagnosticar não limita — organiza.

  • Não rotula — explica.

  • Não reduz a pessoa ao transtorno — amplia a possibilidade de cuidado, autonomia e qualidade de vida.



Sou Dra. Berenice Cunha Wilke, médica formada pela UNIFESP em 1981, com residência em Pediatria na UNICAMP. Obtive mestrado e doutorado em Nutrição Humana na Université de Nancy I, França, e sou especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira. Também tenho expertise em Medicina Tradicional Chinesa e uma Certificação Internacional em Endocannabinoid Medicine. Lecionei em universidades brasileiras e portuguesas, e atualmente atendo em meu consultório, oferecendo minha vasta experiência em medicina, nutrição e medicina tradicional chinesa aos pacientes.


Para saber mais:

London: National Institute for Health and Care Excellence (NICE); 2021 Jun 14.


Autismo Out 2019; 23 (7): 1675-1686.


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