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Cannabis medicinal no Brasil: o que a Anvisa realmente mudou em 2026

  • Foto do escritor: Berenice Cunha Wilke
    Berenice Cunha Wilke
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Em 28 de janeiro de 2026, a Anvisa aprovou, por unanimidade, uma nova regulamentação para a cannabis medicinal, em cumprimento a decisões do Superior Tribunal de Justiça.


A decisão representa um marco regulatório importante, mas também exige cuidado: nem tudo o que vem sendo divulgado nas redes sociais corresponde exatamente ao texto aprovado.


A seguir, explicamos o que mudou de fato — e o que não mudou.


🔬 Cultivo de cannabis medicinal

Antes de 2026, o cultivo de cannabis no Brasil não era regulamentado sanitariamente, ocorrendo apenas por meio de autorizações judiciais individuais.


Com a nova norma, a Anvisa autoriza o cultivo para fins medicinais e científicos, desde que realizado por pessoas jurídicas ou associações autorizadas, com:

  • georreferenciamento

  • rastreabilidade

  • fiscalização sanitária

  • controle de qualidade


📌 Importante: não se trata de liberação ampla ou irrestrita.


🏭 Produção nacional

A produção nacional de derivados de cannabis passa a ser permitida, desde que siga normas sanitárias específicas.


A cadeia produtiva regulamentada inclui:

  • plantio

  • extração

  • fabricação de insumos e produtos medicinais


O objetivo é reduzir a dependência da importação e aumentar a segurança sanitária.


📦 Importação

A importação de produtos à base de cannabis continua permitida, como já ocorria anteriormente, mas:

  • permanece sujeita à autorização da Anvisa

  • segue exigências de qualidade e rastreabilidade


A diferença é que agora há estímulo à produção nacional, não exclusividade da importação.


🧪 Pesquisa científica

A nova regulamentação cria regras mais claras para pesquisa clínica e científica com cannabis, reduzindo insegurança jurídica e burocracia excessiva.


Isso favorece:

  • estudos clínicos

  • pesquisas agronômicas

  • produção de evidência científica nacional


👥 Associações de pacientes

As associações passam a ser reconhecidas e reguladas, com:

  • exigências sanitárias definidas

  • regras jurídicas mais claras

  • fiscalização formal

Antes, sua atuação dependia quase exclusivamente de decisões judiciais.


🧴 Farmácias de manipulação: o que mudou

Este é um ponto central da nova regulamentação.


A Anvisa passa a permitir a manipulação de produtos à base de cannabis em farmácias de manipulação, desde que sejam cumpridos critérios rigorosos.


✔️ O que é permitido:

  • manipulação sob prescrição médica individualizada

  • uso de insumos autorizados

  • cumprimento das boas práticas de manipulação

  • controle de qualidade e rastreabilidade


❌ O que NÃO é permitido:

  • venda sem receita

  • produção em escala industrial por farmácia

  • manipulação sem autorização sanitária específica


📌 Ou seja, nem toda farmácia pode manipular automaticamente: é necessária autorização e cumprimento de normas técnicas.


⚖️ Segurança jurídica

A existência de uma norma sanitária específica:

  • reduz o risco de criminalização

  • aumenta previsibilidade regulatória

  • protege pacientes, associações, pesquisadores e profissionais


🚫 Autocultivo individual

Este é um dos pontos mais confundidos.


A Anvisa NÃO autorizou o autocultivo individual irrestrito.O cultivo domiciliar por pacientes continua dependendo de decisão judicial e não foi regulamentado como regra sanitária geral.


👩‍⚕️ Profissionais de saúde

A norma reconhece a atuação de:

  • médicos

  • dentistas

  • veterinários

desde que devidamente capacitados, com cursos realizados no Brasil e critérios de certificação.


📌 Conclusão

A nova regulamentação da Anvisa não liberaliza o uso recreativo, não autoriza cultivo livre em casa e não cria um varejo comum.


Ela estabelece, pela primeira vez, uma estrutura sanitária formal, controlada e fiscalizada para a cannabis medicinal no Brasil — um avanço real, porém técnico e regulado.











Sou Dra. Berenice Cunha Wilke, médica formada pela UNIFESP em 1981, com residência em Pediatria na UNICAMP. Obtive mestrado e doutorado em Nutrição Humana na Université de Nancy I, França, e sou especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira. Também tenho expertise em Medicina Tradicional Chinesa e uma Certificação Internacional em Endocannabinoid Medicine. Lecionei em universidades brasileiras e portuguesas, e atualmente atendo em meu consultório, oferecendo minha vasta experiência em medicina, nutrição e medicina tradicional chinesa aos pacientes.


Saiba mais


🔗 Links oficiais da Anvisa


Anvisa aprova normas para produção e cultivo de cannabis medicinal (28/01/2026) — notícia oficial no portal do governo:➡️ Anvisa aprova por unanimidade regras que cumprem decisão do STJ para produção de cannabis medicinal (site oficial gov.br)


Reunião Pública da Diretoria Colegiada (Dicol) das propostas de regulamentação — pauta e documentos oficiais da Anvisa:➡️ Reunião pública da Diretoria Colegiada da Anvisa sobre cannabis medicinal (portal gov.br)


📄 Documento técnico relacionado

🔗 Minuta da nova resolução (prévia) sobre cannabis medicinal — documento com a proposta técnica que serviu de base:➡️ Minuta da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) sobre cannabis medicinal (PDF gov.br)

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